Samanta Peçanha
A animação UP é indicada para toda a família. O filme do segundo semestre de 2009 foi dirigido e escrito por Pete Docter e Bob Peterson; produzido por Jonas Rivera e tem trilha sonora de Michael Giacchino. O diretor juntamente com John Lasseter e Andrew Staton, produtores executivos, criaram “Toy Story” um e dois, e “Vida de Inseto”. Com um enredo leve e divertido para as crianças, “UP” possui detalhes que encantaram os adultos da sala.
O protagonista desde criança é apaixonado por aventuras e balões. Assistia sempre aos filmes de Charles Muntz e torcia pelas suas conquistas, mas ficou decepcionado quando uma das descobertas de seu herói foi considerada uma fraude. Ainda na infância conheceu Ellie, uma garota tagarela, que possuía o mesmo espírito aventureiro e se tornou sua companheira de toda a vida. A história começa quando Ellie mostra seu livro de aventuras para o seu mais novo amigo: Carl Fredricksen (o protagonista). Uma casa bem colorida, assim como a capa do seu livro, no alto de uma cachoeira era o sonho desta menina. Anos depois e casados, enfrentam os problemas e alegrias da vida a dois na casinha de várias tonalidades de suas infâncias. O sonho deles é ter um filho. Preparam o quarto da criança bem alegre e colorido, mas Ellie perde o bebê. Continuam suas vidas, mas com um novo sonho: viajar para a terra das cachoeiras. Pintam o desenho do livro na parede e começam a juntar dinheiro. À medida que surgem os imprevistos, o dinheiro para a viagem tem que ser utilizado. O desejo de conhecer essa terra só começou a se concretizar quando Carl compra duas passagens para a Venezuela. Quando ia contar a novidade para a sua amada, ela adoece e o protagonista se encontra sozinho.
Fredricksen calado a maior parte do filme, começa a falar depois da morte de sua companheira e assim mesmo, na maioria da vezes, fala com ela. No dia em que sua vida irá mudar, Russel um pequeno escoteiro de 8 anos explorador da natureza bate a sua porta com o intuito de ajudar um idoso. Muito amargurado, ele recusa a ajuda e despacha o menino que só quer mais um bottom para sua coleção. Após ter machucado um funcionário de uma empresa interessada em comprar a sua casa e como pena judicial ser mandado a um asilo, decidiu ir à terra das cachoeiras em sua residência alçada por balões de várias cores. Já a caminho de “sua terra prometida”, o pequeno Russel bate a sua porta e faz companhia ao senhor de idade pelo resto da viagem. Ao chegar lá Charles, juntamente com Russel, vive várias aventuras e encontra além de sua inspiração da infância, a razão para a sua vida.
A história gira em torno Carl. Uma criança muito calada, mas bem carismática. Ainda na infância conhece a mulher de sua vida. Ela o completa, pois fala tudo o que ele, durante uma boa parte do filme, não abre a boca para falar. Na verdade, ele não precisava se expressar já que ela fazia isso por ele, muito bem, desde o primeiro dia em que se conheceram.
Eu gostei muito de como os roteiristas, Pete Docter e Bob Peterson, retrataram a vida de casados. De uma maneira sutil mostrou a desilusão da perda de um filho, as dificuldades financeiras e até a morte de uma pessoa amada. Tudo com muita sutileza e uma fotografia excelente. Na terra das cachoeiras, a companhia do pequeno Russel fez o coração deste idoso de 78 anos amolecer. Essa criança se encantou por uma ave gigante, com um gosto especial por chocolate, a qual apelidou de Kevin. Essa ave é extremamente colorida e mais a frente vai ser explicado o porquê de enfatizar tanto as cores.
Após encontrar um cachorro que fala, os três personagens seguem este senhor tão solitário em sua meta de morar em cima da cachoeira. No meio do percurso, eles são abordados por Charles Muntz que se mostra muito solicito no início, mas depois revela a sua verdadeira conduta ambiciosa. O tesouro é Kevin, que vai restaurar a sua credibilidade perante a sociedade. O que pude perceber com clareza é que tudo o que realmente é importante para cada personagem é muito colorido. O livro de aventuras; o quarto do bebê tão sonhado; a casinha no alto da cachoeira; a própria casa deles; a coleção de bottons de Russel; os balões e Kevin.
O livro é uma fuga da realidade para Ellie que se refugia neste sonho para ter para o que viver, tanto que no final de sua vida a maior aventura foi se casar com Carl que se tornou a meta realizada. O quarto, por guardar uma coisa muito desejada: um filho. A casa por ser o sonho de um refúgio feliz. Os bottons, por ser a única coisa que liga Russel ao seu pai ausente. Se conseguir mais um, acredita que conquistará o amor deste. Os balões por ser um meio de trabalho por vários anos e um objeto de resgate de um destino certo: o asilo.
Com uma fotografia perfeita; personagens que acrescentam; um roteiro excelente e formato 3D, não é a toa que “UP, Altas Aventuras” é um sucesso entre os profissionais de animação e as bilheterias de todo o mundo.
Assista ao trailer: http://www.youtube.com/watch?v=hwxqLjspkDI






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