Athos Bulcão nasceu no Rio de Janeiro, em 1918. Enquanto crescia frequentava a salões de artes, a teatros e a espetáculos, como a Comédia Francesa. Assim pode conquistar amigos importantes no meio artístico moderno brasileiro, entre eles, Jorge Amado, Enrico Bianco – que o apresentou a Burle Marx –, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Manuel Bandeira e outros.
Foi apresentado a Portinari, aos 21 anos, com quem trabalhou como assistente no Mural de São Francisco de Assis na Pampulha, aprimorou seus estudos e aprendeu sobre desenhos e cores, conseguindo tons de cores in

éditas. Athos não acreditava em inspiração, ele planejava sobre o que tinha a fazer na arte, com muito talento e trabalho.
“Arte é cosa mentale”, diz, citando Leonardo da Vinci.
Athos mostrou que a arte, pode sim, integrar a arquitetura. Ele buscava um novo movimento. Suas obras são todas geométricas, trabalhou com mármore, pedra e madeira além dos famosos azulejos. Poucos sabem que também pintava em tela e que suas formas alcançaram outras áreas sendo reproduzidas, por exemplo, na moda e no design de jóias.
A exposição, realizada no Museu da República de Brasília, já estava nos planos de Athos. Só que, como ele veio a falecer, em 2008 aos 90 anos de idade, não teve como por em prática. Então, a Fundação Athos Bulcão elaborou as representações das obras para homenageá-lo. “A amostra é uma representação dos trabalhos dele. Porque as obras de Athos são para serem vistas externamente”, diz Iara Regiani, umas da monitoras da exposição.
Brasília é certamente uma cidade privilegiada. Parte dos trabalhos de Athos Bulcão estão expostos pelas ruas e construções da cidade. Teatro Nacional; Itamaraty; Hospital Sarah e também o Senado são exemplos de lugares onde têm obras do artista-arquiteto. O Hospital Sarah é um exemplo do desejo de Athos porque há uma quebra de paradigma. Um hospital todo colorido, cheio de arte. Trazer alegria e derrubar preconceitos era o grande objetivo de suas obras. “Brasília é o novo valorizado. As pessoas, que não são da cidade, se surpreendem com tal beleza”, conta Iara Regiani.