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“A paciência é amarga, mas seu fruto é doce.” – Rousseau

A volta dos cineclubes

Posted by aplauzosteste em 06/02/2009

Chico Amorim

Realizada nos dias 30 e 31 do mês de março, a I Conferência  do Circuito em Movimento foi uma oportunidade para a rearticulação e discussão da auto-sustentabilidade e um ponto de encontro dos cineclubes já existentes no Distrito Federal. Conversamos com Ana Arruda, diretora-suplente da Diretoria Regional do Centro-Oeste, sobre o as principais resoluções do encontro, como anda o movimento cineclubista no DF e a importância dos programas federais de apoio aos cineclubes.

Qual a importância da conferência sobre cineclubismo e quais foram suas principais resoluções?
Ana Arruda – Uma das intenções era exatamente fazer uma articulação dos cineclubes já existentes no DF. Momento de articulação que esclarecesse os problemas do cineclube e de encontro dos cineclubes já existentes. Esclarecer para quem não é do meio de exibição como funciona. O foco era o público, para que eles tivessem acesso à cinematografia.

E como anda o movimento cineclubista no DF?
AR – O DF tem algumas características que podem parecer isoladas: tem um cineclube em Brazlândia, tem outro no Riacho Fundo II. O importante é que as pessoas tenham a noção de tem gente fazendo. Uma das caras do cineclube também é a compartilhação. No DF ainda falta essa troca. Não por questão de falta de interesse, mas por falta de iniciativa, por não conhecer… Cada cineclube tem seu perfil diferente, cada região tem uma peculariedade.

O quê representa esse apoio estatal via programas como o “Programadora Brasil” e o “Cine + Cultura” para os cineclubes?
AR
– Esses projetos são importantes para quem é do cineclube para que não enxerguem o governo de forma distanciada. Pelo contrário, reverter essa visão, afinal  o dinheiro é público. São dois projetos que contemplam bem, tanto a questão do acervo, quanto à questão da infra-estrutura.

Os cineclubes são reconhecidos, e aí consiste boa parte de seu valor, por ser uma forma de exibição paralela do grande circuito das produções audiovisuais. No entanto, alguns pontos tendem a exibir lixos hollywoodianos ou filmes pouco frutíferos, o que acaba sendo um desfavor para a formação do público cinematográfico, outro principal caráter dos cineclubes. Como orientar e trabalhar essa questão da programação nos cineclubes?
AR – Acho que a questão da programação tem de ser da forma mais livre o possível para saber o que a comunidade quer ver. Claro que não pode ficar naquela “o povo só vê novela porque só tem novela passando na tv”, tem de haver uma pesquisa das carências deste público. O cineclube é um ponto de encontro, você não alugou um filme e está vendo sozinho na sua casa. Mesmo que não haja debate após a exibição do filme, ali é um local sempre suscetível a discussão. Essa característica de passar filmes mais raros, cults, acaba caindo numa outra forma de ditadura e exclui quem já não tem uma base cinematográfica formada. Cada um tem de descobrir sua especificidade. De repente, passar filmes que discutam a questão ambiental, unir-se a ONG’s. Antes de exibir fazer um mapeamento de qual vai ser a necessidade do local.

Ainda no foco “paralelo” do cineclube, existe alguma preocupação quanto a produção marginal? Intercâmbio com outros países latino-americanos ou também de periferia?
AR – Tem um projeto da produtora que eu faço parte, onde a gente exibe filmes brasileiros pela América Latina e traz curtas latinos de onde a gente passa. Algumas videolocadoras também têm projetos legais, como a Cavi, do Rio de Janeiro, onde eles têm uma prateleira que os diretores deixam seus filmes, curtas, a disposição do público, isso de graça. Aqui em Brasília tem a Cult Vídeo que também deixa acervo gratuito a disposição. Também tem a filmoteca do Conselho Nacional de Cineclubes. Para ter acesso você tem de entrar em contato com o conselho regional do seu estado. Cabe dizer também que vale entrar em contato com os realizadores. O próprio diretor fica muito feliz em saber que tem gente querendo exibir seus filmes. Essas são formas de se não formar acervo, mas ao menos conseguir coisas para projeção. Além, é claro, do contato com outros cineclubes para trocar.

Este site é voltado para o público universitário, portanto gostaria de saber qual é para você a importância das faculdades e universidades neste processo, a formação de público cinematográfico?
AR
– Vejo bem forte. Inclusive o Vladimir Carvalho (documentarista) citou várias vezes durante o encontro o valor das universidades do DF como um todo neste processo. O que tem é muita gente querendo fazer, sem saber como começar. É unir a experiência da sala de aula, aproveitar que as universidades têm estrutura, que o ambiente é propício. A história dos cineclubes, que completou 80 anos agora, caminha junto com o das universidades. Há muitos pontos em comum nessa história.

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